Inventário do que existe
Fotografamos placa, uniforme, nota fiscal e perfil. A marca atual quase nunca é uma só: costumam ser quatro versões convivendo sem que ninguém tenha notado.
Marca boa não é a que agrada na reunião de apresentação: é a que continua reconhecível bordada num uniforme e carimbada em preto.
Os primeiros três anos foram de comunicação visual: placa, adesivo de vitrine, painel de fachada. Recebíamos o logotipo pronto do cliente e tínhamos de fazer caber em chapa cortada.
Foi ali que ficou evidente o tamanho do problema. Símbolo com filete de meio milímetro some quando o vinil é recortado; degradê vira mancha quando a placa é pintada; nome em fonte fina desaparece do outro lado da rua.
Passamos a desenhar do outro lado do balcão, e a prova de redução entrou como etapa obrigatória. Toda marca que sai daqui foi impressa a nove milímetros e carimbada antes de ser aprovada.
A parte do manual veio depois, de tanto ver marca boa aplicada errada. Regra escrita custa quatro páginas e evita a quinta versão do logotipo aparecendo num banner feito às pressas.

Sem três adjetivos escritos, a crítica ao desenho vira gosto pessoal.
Cor entra depois: ela conserta desenho fraco e adia a discussão de verdade.
O tamanho do crachá decide mais sobre um símbolo do que a tela do computador.
Manual sem frase clara vira álbum de figuras e ninguém consulta duas vezes.
A ordem importa mais que o talento do desenho. Quem começa pela cor escolhe o símbolo errado; quem começa pela palavra escrita chega ao fim com uma marca que dá para defender em voz alta.
Fotografamos placa, uniforme, nota fiscal e perfil. A marca atual quase nunca é uma só: costumam ser quatro versões convivendo sem que ninguém tenha notado.
Antes de qualquer traço, a empresa escreve três adjetivos que quer ouvir de um cliente novo. É por essas palavras que o desenho é cobrado depois.
A primeira rodada sai em preto sobre branco. Cor entra tarde de propósito: ela salva desenho fraco e adia a discussão real.
Cada candidato é impresso a nove milímetros e carimbado. O que vira borrão nesse tamanho não segue, por mais bonito que esteja na tela.
Cada cor sai com valor para tela, para impressão em quatro cores e para tinta chapada, mais a versão que funciona em fundo escuro.
Indicamos famílias cuja licença cobre o uso que a empresa realmente faz, e deixamos a nota fiscal do licenciamento junto do manual.
Clientes dos últimos projetos, publicados com autorização de cada um.
Escrever três palavras antes de ver qualquer traço mudou a reunião. Parei de dizer "não gostei" e passei a dizer o que faltava.
A receita de cor veio separada para tela e para tinta. A gráfica parou de me ligar perguntando qual era o tom certo.
A marca precisava aguentar adesivo em caminhão e bordado em camisa. Foi testada nas duas coisas antes de eu aprovar.
O manual tem regra escrita, não só página bonita. Meu estagiário resolve sozinho o que antes vinha parar na minha mesa.
Com essas duas imagens já dá para dizer quantas versões da sua marca estão circulando e o que daria para aproveitar.